quarta-feira, dezembro 28, 2005

A chuva pasmada

Deixo-vos com algumas passagens do último livro que li de Mia Couto.

A escrita é simplesmente deliciosa!

"Ante o frio,
faz com o coração o contrário do que fazes com o corpo:
despe-o.
Quanto mais nu,
mais ele encontrará
o único agasalho possível
- um outro coração
(Conselho do avô)"

"A beleza, dizia, era uma gaiola que o avô inventara para ela ser pássaro. Um desses pássaros que canta mesmo em cativeiro. E o engano dessas aves é acreditar que o céu fica do lado de dentro da gaiola."

"Não era tristeza. Era um vazio. Os tristes têm um céu. Cinzento, mas céu. Os desesperados têm um deserto."

"A mulher tem seus tempos, como um fruto."

"Não tinha sido um simples quebrar da loiça. Havia algo mais profundo que estilhaçava no nosso lar."

"Pensava no nascimento da bezerra?"

"- A velhice não é uma idade, é uma decisão."

"Sentiremos sempre a saudade como um mar em que, em outra vida, nos tenhamos banhado."

"Com violência, ele me puxou pelas roupas. A mostrar que eu era coisa, não gente. A mostrar que ele era homem, não pai. A vergonha doía-me mais que as pancadas que se avizinhavam."

"Nele eu assistia à vida e seu destino: nascemos água, morremos terra."

"O meu desejo era sair, a minha pressa era desaparecer. Mas não tive tempo."

"Nada sucede de primeira vez, tudo é reedição de algo já sucedido."

"A vocês, homens, faz bem uma dor dessas. Vocês são fracos por falta de saber sofrer."

"Nunca diga que uma mulher foi sua. Essas coisas são para nós, mulheres, dizermos. Só nós sabemos de quem somos."

"E ali ficámos falando, como nunca havíamos conversado."

"Todo homem, afinal, está sempre saindo de um subterrâneo escuro. É por isso que tememos os bichos que vivem nas tocas: partilhamos com eles esse mundo feito de trevas, segredos murmurados por demónios em chamas.
O verdadeiro motivo de meu pai ter desistido era porque ele se pensava como o centro de si mesmo. Meu pai estava entupido de si próprio. Ele fora sufocado pelo seu umbigo.

A solução era sair de dentro de si, arregaçar as mangas e os braços, arregaçar a alma inteira e tomar a dianteira sobre o destino."

"Não é o morrer que é para sempre. O nascer é que é para sempre."

"Milagre é o coração começar sempre no peito de outra vida."

Puro magnetismo

Não esta noite, mas na noite passada...

Sonhei com uma pessoa.
Alguém que já não vejo há algum tempo.
Alguém que passou pela minha vida, a uma dada altura. Mas com quem me desencontrei.

Só que, sempre que a (o!) vejo, é como se o tempo não tivesse passado.
É como se nada de menos bom tivesse acontecido.
É como sempre a (o!) vi.

A chamada química.
Mesmo!
Esteja quem tiver, seja onde for...
Impossível ignorar.
Escusado evitar.
Os olhares encontram-se sempre.
Fingem que não estão 'nem aí', mas estão.
Ai se falassem...

Engraçado...


... quando, à medida que vamos conhecendo mais do trabalho de alguém, vamos também gostando mais desse alguém.

Aqui fica um excerto de uma crónica de Carlos Tê, intitulada "Então dancemos":

"(...) Quase apetecia dizer que a arte é a única coisa sólida que resiste ao espectáculo chuvoso da realidade. Mas não é verdade. Há um pano suspenso sobre o palco da realidade e a gente, apesar de tudo, tem que manter o palco aberto e iluminado. Porque a História continua, antiga e firme, e não podemos deixar de dançá-la o melhor possível."

sexta-feira, dezembro 23, 2005

A vida faz-me bem


Devo dizer que não fui muito contagiada por este Natal...
Se calhar por nenhum motivo em especial, se calhar por todos os motivos do mundo...

De qualquer forma, é sempre uma época muito bonita.
Espero que tenham um Óptimo Natal, com amor e calor e, claro, cheio de prendinhas!

Estou mais focada no ano que aí vem.
Não que este tenha sido para esquecer.
Mas o próximo tem, definitivamente, de ser muito melhor.

A ver se me agarro a estas palavras...

"(...)
Eu descobri
Vem é d'aqui
Esta energia assim
Dá p'rasentir
A porta a abrir
Algo a mudar em mim...

Posso arriscar a dor
Mais à frente há melhor
(...)"

... dos meninos, claro! :)
É o que eu digo (para mim mesma) - as músicas deles estão sempre de acordo com a minha vida. Não sei explicar...

Arrasem com 2006!
Porque é o que eu vou fazer.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Será?!


(Escrito a 17 de Novembro de 2005... só que resolvi esperar, por achar que este era o dia mais apropriado.
Claro que, já depois disso, hesitei fazê-lo.
Entretanto, lá me decidi.
Coerente comigo mesma, acima de tudo!

Quero apenas sublinhar que não se trata de nenhuma espécie de hino ou ode a quem quer que seja.
É, pura e simplesmente, um desabafo. Como tantos outros.
Algo que senti necessidade colocar por escrito, num determinado momento...
E resultou, porque - depois - o resto do dia correu impecavelmente.)




Amor.
Esse sentimento transcendente.
Já senti, de facto.
E devo dizer que só me apercebi quando já não havia nada a fazer, quando o envolvimento era total.

Tudo parecia encaixado, perfeito, "meant to be".
O sentimento era recíproco (como deve ser), a identificação era plena.
Encantamento, Paixão, Amor... tudo num só.

Mas acabou.
Muito cedo, até.
O que era suposto durar a vida toda, resumiu-se a uns meses apenas.
(A ferida - essa - levou um tempo considerável até cicatrizar.)
Período insuficiente para o conhecimento, para a saturação, para um "try again".
No entanto, esse fim permitiu o ficar sem chão, a desilusão, a constatação de que tudo não passou de um engano (ou de um sonho?!).
(Não do que sentia. Quanto a isso, a certeza era absoluta.)
Raiva. Revolta. Tristeza profunda.

Tudo isto em cerca de meio ano. Bem condensado. Demasiado intenso.
Felizmente o tempo cura tudo.
Foi dado o lugar à tranquilidade, à certeza de que se agiu em consciência, de que a felicidade (afinal) não estava ao alcance.
(Pelo menos aquela dependia de duas pessoas.)
Definitivamente a história levou um ponto final.

Quatro anos depois, ficam dúvidas que nunca poderão ser esclarecidas.
(Nem vale a pena.)
Fora isso, a vida segue em frente.
E que bom que é voltar a acreditar!

Mas, de vez em quando, há uma questão que me assalta:

Será que, algum dia, voltarei a ser invadida com semelhante plenitude?!

6teen


Sabem, o programa da Sic Mulher...


O tema de ontem foi "Lingerie" e teve os Anjos como convidados (não sei se a relação terá sido estabelecida propositadamente).

Um belo momento de televisão (e entendam-no como quiserem, porque não vou prolongar mais o raciocínio).

É verdade que, às vezes, ao fazer zapping passo 'por lá'... mas nunca fico mais do que uns segunditos... não sei bem porquê...
Mas, ontem, claro que tinha de ver - enquanto lá estavam o Nélson e o Sérgio.

Foi a p*** da loucura!
Aquele que considero ter sido o auge do programa foi quando, a dada altura, uma Mónica (que estava lá para mostrar e falar de algumas lingeries expostas em estúdio), ao falar de uma peça em particular, diz algo parecido com: "- (...) mas esta é gira, porque fica colada ao tórax..."
A isto segue-se uma pausa, da própria. Como que a pensar e a dizer (depois) "Uau, pronunciei a palavra tórax. Que esperta que sou!".
Comovente.

Quanto aos meninos, estão sempre bem. :)

Insónia

(Ontem, apesar de já ter chegado tarde a casa - para quem se levanta às 6h, não conseguia adormecer. 'Escrevinhei' isto.)


Sim, a auto-estima raras vezes está lá nos píncaros.
Mas, independentemente disso, eu sou mais eu.
E quefrustrante (!) é sentir que (arrisco dizer) a maioria das pessoas que está comigo, com quem vivo e convivo, não me conhece. Na essência.

É que, a meu ver, é-me impossível ser mais transparente... !?

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Se Maomé não vai à montanha...


É verdade!
Desta vez, foram os Anjos que vieram até cá - Figueira da Foz - fazer a entrega simbólica dos donativos de uma campanha de solidariedade, organizada pelo local onde estou a trabalhar.

Aproveito para dizer, aqui, o que disse ontem ao microfone (entenda-se que foi a única vez que se lembraram de que eu também lá estava!): É sempre um prazer estar com eles!
Mas o melhor é que as pessoas que trabalham com eles também são impecáveis - se não todas, pelo menos aquelas com quem tenho contactado.

Resumindo, é sempre uma festa. :)


Agora, de volta à rotina...
O que não sei se é bom ou mau.

Passo a explicar.

É cada vez mais impensável, para mim, continuar como estou.
Mas é mais impensável ainda ter de vir a fazer algo com o qual não me sinta realizada.
Está completamente fora de cogitação!

Se calhar digo isto porque posso, porque ainda não tenho contas para pagar (renda, água, luz, telefone...)... Mas hei-de encontrar uma solução, não?!

Tem de haver uma luz ao fundo do túnel!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Sempre assim

Estes dias (nesta época do ano) deixam-me sempre assim... nem eu sei bem como...

Melancólica, nostálgica, instrospectiva, 'questionativa'...


Não há-de ser mau de todo.
Só que sinto-me assim...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Urgente...

... cuidar mais de mim!

Tempo bem passado

Indo eu, indo eu
A caminho de... Esposende!

(Este teria sido o meu post no sábado, caso o tivesse colocado aqui.)


Lá fui.
Lá fomos, aliás.
Mais uma viagem, mais um concerto.
Desta vez, aproveitando para trabalhar um pouco. Juntar o útil ao agradável, se é que me entendem.

Quando chegámos ao Modelo, calmamente nos apercebemos de que eles (os Anjos) ainda lá estavam, na Worten, a dar autógrafos. Quer dizer... o ambiente apelava à conversa, de tão calmo que estava.
Ainda deu para trocar umas palavritas. :)

Fomos jantar.
Muito bonita a igreja de Esposende... toda iluminada e muito bem enquadrada.

O frio é que era insuportável. Chegava aos ossinhos num instante.
Por isso, só saímos do carro quando aquilo começou.

Correu bem, como sempre (ou na maioria das vezes).
Sem muita gente, acredito que devido àquela temperatura.
Alguns cachecóis egritos pelo SLB.
Uns problemazitos (pareceu-me) no som.
Umas quantas 'brancas'.
Mas boa música, sempre.

No final, o trabalho continuou.
Fui com a responsabilidade de gravar uns IDs.
Aproveitei para falar também da campanha que eles vão apadrinhar aqui na Figueira, no próximo dia 20.

Escusado será dizer que houve de tudo... bem, quase tudo... ;)
Gravações, gargalhadas, muita conversa - principalmente conversas paralelas, alguns espirros e um engano. Sim, agora sou "Carina Lúcia". Só que ainda ninguém sabe. :)))
Ah, e uma viagenzita ao passado.


Depois, ainda fomos tomar um chocolate quente.
E voltámos para Coimbra.

Agora, de volta à rotina!

Mensagem especial


Amiga:

Estás muito triste, sem chão... de rastos.
Sentes que o ar não chega, que a vida - assim - não tem qualquer sentido.
Não tens apetite, não consegues dormir, não és capaz de te abstrair (e distrair). Chorar é o que mais tens feito ultimamente.

Como te compreendo!

Ainda é cedo, mas vais ver que superas.
Como já ouvi dizer... se algo nos acontece é porque podemos dar a volta por cima e seguir em frente. É porque somos capazes.

Que eu te consiga ajudar a voltares a acreditar no amanhã.

Mas não nego: é difícil!
O abraço, o beijo, o toque, o cheiro... desaparecem, simplesmente.
O telefone deixa de tocar.
As pessoas perguntam, parece que propositadamente.
Está presente a toda a hora, em todos os lugares.
Porque está em nós.

Sabes que estou aqui, para o que for preciso. Ouvir-te. E, sempre que possível, não te deixar sozinha.

Acredita: o tempo é o teu maior aliado.
E isto vale para qualquer situação. E para qualquer rumo que a história (ainda) possa tomar.

Vais ver que ainda vais ser muito feliz!

Rendida!


Aquele olhar,
Aquela boca,
Aquele perfil,
Aquela pele,
Aquela crista,
Aquele estilo,
...

Fico rendida!

Mas depois passa. Que remédio.


Não é por nada, mas se calhar já não tenho idade para certas coisas... Enfim...

Ainda assim, é bom SoNHaR acordada!

terça-feira, dezembro 13, 2005

segunda-feira, dezembro 12, 2005

O meu orgulho (1)

BENFICA! Sabe tão bem dizer...


Já vem com algum atraso, mas depois do jogo (na passada quarta-feira) com o Manchester United, para a Liga dos Campeões, este post faz todo o sentido.

A águia voltou a voar mais alto!

Terminei de ler, por estes dias, o "Ser Benfiquista": uma compilação de 100 textos de 100 benfiquistas (conhecidos no panorama nacional), a propósito do centenário do clube.

Inspirada pela força encarnada, resolvi colocar aqui alguns excertos... frases, parágrafos, diálogos... que reacendem a chama imensa.

Para os benfiquistas, espero que gostem e que se revejam, de alguma forma.
Para os não (ou anti) benfiquistas, espero que - ao menos uma vez - saibam reconhecer a transcendência que envolve o Glorioso.


"Talvez não valha mesmo a pena tentar perceber por que sou do Benfica. Sou e chega. Sou seu amante, até ao tutano da minha alma. E, como bom amante clubista, em regime de monogamia absoluta." António Bagão Félix

"Umas vezes a sofrer, outras vezes a gritar a palavra mágica, aquela que não revela tudo, mas tudo dita, a levar as mãos à cabeça, a virar as costas ao jogo, a saltar de repente, a levantar os braços, a fechar momentaneamente os olhos, abrir os braços e as mãos... um não-acabar de movimentos quase coreográficos a que este clube que dá pelo nome que tão BEM lhe FICA - BENFICA - me tem levado!!!" Paulo Pires

"Contactar com a realidade que é o futebol e não me posicionar de um dos lados em confronto é, desde logo, tornar aquela bonita realidade insignificante. No meu caso descobri que o lugar mais capaz é o do Benfica porque, perante ele, todos apuram e proclamam o seu real valor, normalmente momentâneo, se é vencedor. Como eu compreendo a alegria dos outros clubes quando ganham ao meu Benfica!" José Luís Borga

"Vem esta confissão a propósito da tragédia que se abateu sobre o meu clube. Um dia, um tal Paulo de Assunção, médio do Palmeiras transferido para o Porto e que a história não recorda, comentou: 'Benfica? Sim, já ouvi falar. Dizem que é o maior rival do FC Porto'. Fiquei de morrer. Estive para adoecer, faltar ao trabalho, bater nos filhos, eu sei lá. Fora ferido no mais íntimo dos meus pequenos orgulhos. Estive para perder as maneiras, ou seja, as estribeiras. Aquilo doeu porque era verdade." Miguel Portas

"(...) o Benfica... e Eusébio.
Só os que, na referida década de 60, tinham o privilégio, ou enfrentavam a dificuldade, de atravessar as fronteiras de outros países, o que equivalia, nalguns casos, quase literalmente, a 'rasgar cortinas... de ferro', poderão fazer ideia aproximada das portas que esses dois nomes abriam, dos sorrisos de boas-vindas que acendiam em rostos severos e fechados, das pequenas cumplicidades que desencadeavam entre os cidadãos e as autoridades de tais países." Alfredo Farinha

"Em minha casa não se vai ao futebol - vai-se ao Benfica!" Francisco Penim

"E até porque sou do tempo em que não se perguntava: 'Ganhámos?', mas sim, 'Ganhámos por quantos?', fui enchendo de troféus a minha paixão secreta, glorificando sem macular." Henrique Garcia

"Durante toda a minha infância e juventude, Porto foi sempre e tão-somente o nome da segunda cidade mais importante do país!
Neste contexto, ser do Benfica sempre me foi apresentado como uma espécie de 'estado natural', uma causa nobre que até decerto o 'bom selvagem' do Rousseau teria abraçado se no século XVIII a magnífica criatura já tivesse existência (...)." António Vitorino

"Em Belém, bairro popular de Lisboa, nasceu o Benfica. Em Belém, terra palestiniana, nasceu Jesus. Penso que há coisas que não acontecem por acaso. Penso também que, embora estes dois 'Beléns' estejam tão distantes um do outro no espaço geográfico, o Benfica nasceu abençoado." Henrique Viana

"A vida dizem que é um estádio, que ora se enche, ora se esvazia de gente. E o Benfica somos nós." João de Melo

"E muito embora não tenha visto o maior Benfica (nunca vi jogar Eusébio, Coluna, José Augusto, José Águas, José Torres, etc...), acho que, como todos os benfiquistas, acabo por herdar todo esse património de vitórias, de que me orgulho como se as tivesse testemunhado." Pedro Ribeiro

"(...) acredito num Benfica agradecido aos pioneiros, mas onde o culto do passado seja apenas adubo do futuro." Sílvio Rui Cervan

"Era um médico doente... pelo Benfica, e fazia questão de contaminar os outros com essa doença. Eu fiquei, sem cura, até hoje." Rui Nabeiro

"No dia 28 de Fevereiro de 1904, um home chamado Cosme Damião fundou, com um grupo de amigos, numa modesta farmácia de Belém, o clube que hoje conhecemos por Sport Lisboa e Benfica." Ricardo Araújo Pereira


"Fiquei atónito, estupefacto. Ali, num local medieval, num país em que a chegada ao poder dos 'taliban' tinha proibido coisas tão banais como ouvir música, escutar rádio, ver televisão ou jogar futebol, este home de cabelo sujo e ar esquálido conhecia o Benfica." Pedro Pinto

"Nos últimos anos, o Benfica não alcançou os triunfos e títulos a que habituou a sua massa associativa. Tal não lhe retira o brilho e grandeza. Sabemos que por vezes as águias podem voar mais baixo do que as galinhas, mas as galinhas nunca voarão tão alto como as águias." Ricardo Cardoso

"E assim nasceu aquele impulso colectivo que criou o desaparecido Estádio da Luz, essa 'Catedral' das páginas mais bonitas que já se escreveram no futebol português." Joaquim Letria

"E lembro-me do homem que ia à nossa frente.
Era completamente anónimo, sem nenhum sinal distintivo que o destacasse das hordas dos fiéis em marcha. Estava frio. Ele tinha um blusão grosso apertado abaixo da cintura. Ia ao lado de outro homem igualmente inidentificável, e falavam os dois em voz baixa um com o outro, ainda mansos, expectantes, coo todos nós.
De repente, o atalho desembocou num grande espaço aberto.
Dali de onde estávamos, via-se a 'Segunda Circular'. E, do outro lado, via-se todo o estádio. Iluminado. Enorme.
O homem caiu de joelhos. Abriu os braços. E gritou, num grito que ecoou como um raio de luz pela noite do caminho:'Glorioso!'" Clara Pinto Correia

Longe do ideal

"Como vai a sexualidade dos portugueses?" foi a pergunta no fórum do programa Curto Circuito, da Sic Radical, há dias...

Mal, por aquilo que me apercebo e conheço.

Sim: a ciência tem evoluído - também nesse campo, há mais informação disponibilizada pelos media.
Mais cedo os miúdos experimentam. É verdade.
Arrisco, no entando, dizer que (na maioria dos casos) nem sabem muito bem o que ou por que o estão a fazer.
E isso é grave. Deveras alarmante.

Tenho para mim que o principal problema reside em casa (a base de tudo): os pais não perdem tempo a falar sobre isso, não vão preparando os filhos para essas questões.
A sexualidade (não o sexo) continua a ser um tabu!
Porquê?
Não deveria ser encarada como a coisa mais natural do Mundo?!
Afinal, é dela que nós nascemos!

Passa, sem dúvida, por um melhor autoconhecimento. A partir daí, tudo é mais fácil e natural, muito mais espontâneo.
Também é isso que procuro. E que todos procuram, julgo eu.
Só que, muitas vezes, com o querer fazer por fazer, o dizer que já se experimentou, 'metem-se os pés pelas mãos'.
É preciso compreender que, antes de um orgasmo (por exemplo), vem todo um conjunto de sensações muito importante. Fundamental, até, para depois se procurar o clímax. Mas com tempo.
Conhecer o próprio corpo, conhecer o outro e o corpo do outro, saber o que se quer, estar consciente dos riscos e saber prevenir qualquer situação inesperada...
Sempre com naturalidade.

Que chatice...

... isto de (ainda) estar sem pc. :(

Bingo 2

Noutro horóscopo:


"No campo profissional nem tudo lhe correrá de feição e terá mesmo de engolir alguns sapos para manter a estabilidade profissional. A dado momento, pode sentir-se inseguro ou pouco apoiado por algumas pessoas de quem não esperava esses comportamentos; faça uma avaliação rápida do sucedido e responda à altura. Na saúde não se divisam problemas de maior mas o seu sistema nervoso está um tanto fragilizado."

Às vezes acertam mesmo.

Bingo!

Eis um excerto do meu horóscopo para Dezembro de 2006:


"A Lua Cheia do dia 15 salienta um processo de transformação que tem vindo a ocorrer na sua vida laboral. Precisa de analisar com atenção o seu trabalho, pois poderá haver uma crise nesta altura que requer uma atitude drástica da sua parte. Se procurar uma ajuda não tenha medo de dar a conhecer as suas opiniões. Esta é uma altura para simplificar e também para aproveitar a liberdade que conseguir."

Não que precisasse de ler isto para já ter tomado uma decisão.


"Quando entrar no ano novo, espere por um espírito de optimismo e partilhe essa sensação. A confiança que vai sentir irá crescer e votá-lo ao sucesso."

Posso ter esperança?!

Que venha 2006, pois então! :)

Não raras vezes...

... tenho a nítida sensação de que há pessoas que, ao olharem para mim, pensam algo deste género:

"23 anos? Que giro, dava-lhe 18 no máximo! Com aquela carinha de menina..."

E, lá no fundo (ou não), menina deve equivaler a... burrinha... criancinha - mas só com a carga negativa que isso possa implicar... sem personalidade... sem opinião... sem qualquer capacidade empreendedora... que provavelmente não sabe fazer nada sozinha... tadinha...

Enganam-se.
Digo-o.
Só que nem sempre é a altura apropriada. Mas pelos vistos tenho de o fazer, qualquer que seja o momento.

A revolta perante a injustiça.
Mas pronto: há que mostrar o contrário.

Músicas...

"Estás num ponto sem retorno,
No dia em que te deixares levar.
Embalado pelo sonho
E amar aquilo que encontrares."
Cool Hipnoise


Já não ouvia esta música há imenso tempo...

:)

Muito fixe.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Maldade

Os números não deixam dúvidas: são muitos os idosos vítimas de maus tratos.
Nas notícias referiram a proporção de 7 em cada 10. Referiram, também, que dão mais entrada nas urgências dos hospitais precisamente nas épocas festivas.

Como é que é possível?!

Será que ninguém faz nada?

Permite-se, de ânimo leve, que as pessoas envelheçam e morram sem dignidade.
Ignora-se.
Eu própria, desconheço a realidade.
Felizmente que, na minha família, os meus avós não estão sozinhos. Até agora, os filhos têm tomado bem conta deles.
Mas se algum dia, por algum motivo, não puderem, estou cá eu. E o mesmo servirá quando forem eles mais velhos.

Abandonar alguém, assim... É, no mínimo, desumano!

terça-feira, dezembro 06, 2005

Venham eles

Começou, ontem, a ronda de debates televisivos com vista as presidenciais: dez frente-a-frente que vão juntar (dois a dois) os cinco principais candidatos.

Vi o primeiro. E quero ver mais, embora (e infelizmente) não deva conseguir ver todos.
Mas ainda bem que as nossas televisões chegaram a este acordo. Para bem da Democracia.

Em princípio, o meu voto já é certo para um dos candidatos.
No entanto, estou disponível para ouvir e ver e - se necessário - mudar de opinião. Afinal, ainda falta mais de um mês.


Muito positivo, de qualquer forma.
Principalmente, tendo em conta a grave situação que o país atravessa.

As perpectivas são péssimas. Se é que existem!
Custa ver este cenário. Quando se está a 'começar' uma vida, mais comlicado se torna.

Mas, como alguém uma vez disse, "enquanto há vida, há esperança".
E só assim faz sentido.

Rumos

Como disse, na sexta-feira à noite fui ver o filme "Proof".

Adorei!
Tudo menos básico, se é que me faço entender.
Para quem não sabe, envolve muita Matemática (e matemáticos, claro - incluindo os protagonistas).

Fiquei logo com saudades dos meus tempos de escola, quando era a melhor a aluna ou uma das melhores. A essa disciplina, precisamente.
Adorava olhar para os exercícios, compreendê-los, resolvê-los...

Acho mesmo que muita gente a detesta, porque não a compreende.


Que pena ter-me perdido no secundário.
Creio que, em grande parte se deveu às (pseudo)professoras que apanhei. Enfim!

Penso sempre no que poderia ter sido, caso tudo tivesse corrido de outra forma.
Estaria certamente em algo relacionado com contas, números, fórmulas...

Mas também não teria descoberto a rádio e o jornalismo!

Atenção


Claro que não escrevo posts de minuto a minuto. Pelo menos, habitualmente.

O que acontece é ir escrevendo... e depois postá-los todos de uma vez... às vezes só no dia seguinte.

:)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Precisamente

Ouvi ontem, no Herman SIC...


"Há coisas que só se podem escrever quando já não doem."

Não confundir

O "Elas sobre eles", programa da Sic Mulher, tocou num ponto essencial.

Encantamento.
Paixão.
Amor.

São coisas totalmente distintas.


Porque há que 'chamar os bois pelos nomes'.

Déjà vu

(Escrito a 04 de Dezembro de 2005, a partir das 16h em ponto)


Ontem (sábado) tive um jantar seguido de rasganço - o primeiro. Não meu, mas de quatro colegas de curso.
Gostei bastante. De as rever, de passar um bom bocado. Também de falar um pouco daquilo que nos une, o caminho profissinal.
Quanto ao rasganço, propriamente dito, foi demais.
Diverti-me imenso.
O que me fez pensar numa decisão que já tinha como certa: não rasgar o meu traje.
Neste momento, pondero fazê-lo. Mas não agora (está frio!). Será lá para a semana da Queima das Fitas (Maio) ou então no dia dos meus anos (Junho).


No jantar, eram mais os casalinhos do que as pessoas sozinhas (por opção ou nem por isso).
O que me fez reflectir.

A sensação que tive foi idêntica há de quando andava no 12º: se bem me lembro, eu era a única rapariga da turma que não namorava. O que me fazia sentir deslocada.

Claro que, entretanto, a vida deu muitas voltas.
Mas agora estou novamente sozinha.
E ontem voltei a pensar nisso. Foi quase um déjà vu.

Independentemente disso, antes assim - sozinha - do que estar com alguém... por estar. Isso eu não faço. Se alguma vez o fiz, mesmo que inconscientemente, assim que me apercebi da situação tratei de a corrigir. Porque é essa a minha forma de estar na vida.

Ao ver aquele cenário (durante o jantar e o rasganço), tive saudades.
De algo que ainda não vivi.
Não é estranho?!

No meu caso, quero muito construir a minha família. Conhecer alguém, casar (ou não), ter filhos... Porque acredito realmente ser essa a base de tudo: do sucesso, da estabilidade, da harmonia... da felicidade!
Tudo o resto acaba por se ultrapassar, com mais ou menos dificuldade. Agora, os afectos são o principal. A família é o principal. O porto-seguro.
Isto é aquilo que eu gostaria, com que sonho, que ambiciono. Aquilo que, desde que tenha oportunidade, vou ter.
No entanto, não depende só de mim. Há muitos outros faztores que o determinam. (O que não sei se é bom ou mau.)

Ao vê-las (as minhas colegas) com os respectivos - acredito eu - príncipes encantados, pensei em mim.
Tive a impressão de me ver, mas como se estivesse fora de mim, do meu corpo.



Hoje (domingo), enquanto vejo televisão no sofá, embrulhada no meu édredon, faço a minha leitura habitual da semana - a revista Visão.

E que encontro eu na página 82?
"Casar, nem pensar", um artigo sobre pessoas que (por algum motivo) preferem viver sozinhas. - Ao contrário dos Anjos (a cantarem, neste momento, na RTP), que estão muito bem casados. :) - Portanto, são pessoas que preservam, acima de tudo e todos, a sua liberdade, a sua independência, a sua individualidade.

Devo dizer que é algo que me faz alguma confusão.
A não ser que a vida tome esse rumo. Nesse caso, há que aceitar (ou não) e dar a volta por cima.

Bem, em cerca de 6 páginas que ocupa o artigo, deixo um excerto.

"Numa investigação publicada na Biblioteca Científica Electrónica, intitulada Solidão, a busca do outro na era do eu (2001), a socióloga Elsa Guedes Teixeira analisou 542 anúncios a pedir companhia e 56 respostas a inquéritos.
A partir dos resultados obtidos, concluiu que o aumento de possibilidades de escolha nos relacionamentos não diminuiu o sentimento de solidão. O trabalho mostra que solteiras e divorciadas - em número elevado na amostra - continuam, ainda, à procura do seu 'príncipe encantado', enquanto eles preferem qualquer tipo de relação a estarem sós."

Parece que os factos falam por si.
Mas claro que cada caso é um caso.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Coisa mai' linda!

Devo dizer que este feriado deu bastante jeitinho.
É que aproveitei e pus o cinema em dia.

Na quarta-feira, fui ver "O Crime do Padre Amaro".
Gostei.
Gosto sempre de ver o que se faz por cá. E também de ver os nossos actores que, em nada, ficam a dever aos de 'lá de fora'.

Ontem, quinta-feira, consegui (finalmente!) ir ver o "Chicken Little".
Demais.
Não que a história seja alguma coisa de extraordinário, mas só aquele bonequinho...
É lindo!
Amoroso, ternurento.
Dá vontade de ter um em casa.
Não dá?!













Agradeço que me avisem assim que ele sair em peluche. ;)

No geral, gostei da história e das personagens.
Mas além do protagonista (se assim se pode dizer), apaixonei-me por uma em particular...













Só estilo!
Assim mesmo é que é.
Embora já não diga praticamente nada, nem precisaria de o fazer.

Hoje, e para terminar a ronda cinematográfica, vou ver o "Proof". Com Anthony Hopkins e Gwyneth Paltrow.
Imperdível, portanto.

Enfim

Esta minha intuição...
Que só me avisa do que não deve, daquilo que prefiro não saber.

Ainda se resultasse no Euromilhões!

Nunca sei quando confiar ou ignorar o que 'ela' me diz.

Ansiosa


Música.
...

Cantora(s).
...

Pussycat Dolls.
...

"Dont cha".
...


















Medo?!

:)

Brincadeirinha.

Mas não vejo a hora de a dançar.
Ah pois é, Dança Jazz always on top.
Vai ser o delírio.

Se, ao menos, me sentisse em todas as alturas/situações da vida como me sinto em palco, quando danço...
Seria o poder!

Para já, estão marcadas duas actuações: 10 e 17 de Dezembro.
Infelizmente, não vou poder ir a nenhuma.
Mas oportunidades não hão-de faltar.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Daquelas coisas


Acabei de ouvir, aqui na Maiorca FM (na emissão), uma música que já não ouvia há tanto tempo... não sei contabilizar...

Que giro.

É daquelas coisas que marcam logo o nosso dia.
Incrível.
Estou capaz de percorrer o mundo, cantar e dançar até não poder mais, abraçar aqueles que amo.

Não sei se é este o título da canção, mas é o verso que domina:
"Tell me how will I know who you are?"

Dia novo

Vida nova?!
Pode ser que sim, pode ser que não.

Agora, até sexta-feira, encontro-me em tomada de decisão.
Depois, daí a uma semana, pode acontecer uma de duas coisas: continuar onde estou (nada mal) ou mudar (espero eu, para melhor).

A ver vamos.


Será que as decisões têm de ser sempre difíceis?

terça-feira, novembro 29, 2005

Simplesmente


Dói-se-me.
A alma.
O peito.
Uma dor profunda e constante.
Que não me abandona.

Até custa respirar.

No fundo, sei que acaba por passar.
Com o tempo...

Sinto...

... um desgaste, sempre que sou invadida sem permissão.

Actualidades

(Escrito ontem, 28 de Novembro de 2005, à noite, já depois do Telejornal)


"Tradição", "História", "Cultura", "Património"...
Palavras utilizadas até à exaustão, por quem defende a manutenção dos crucifixos (ou qualquer outro símbolo referente à religião Católica) nas escolas públicas do país.

Pois eu sou pela decisão do Ministério da Educação, que aplaudo.
Só espero que a medida vá mesmo em frente, contra tudo e contra todos.
Enfim.


Lógico (parece-me), num regime democrático que é - ou talvez devesse ser - o nosso.

Há que tentar, aos poucos (é certo), extinguir esse tipo de monopólios instalados.

E, pela primeira vez, gostei de ouvir a deputada Ana Drago (Bloco de Esquerda), na Sic Notícias, num debate a dois (além do moderador) sobre este tema, precisamente.


(Não quero, com isto, parecer que estou 'de ferro e fogo' contra a Igreja Católica.
Simplesmente, não entendo o poder que tem, as multidões que arrasta, a mentalidade que defende.
Entenda-se que, por mim, nem seriam necessárias religiões.
Fazer o bem não passa (acredito) por uma sala cheia de gente a rezar uma missa. É muito mais do que isso.

Utopia?! Talvez...)

Finalmente

(Escrito ontem, 28 de Novembro de 2005, enquanto regressava a Coimbra)


Ao fim de quase 3 meses, comecei finalmente a fazer informação em directo.

Devo dizer que tinha algum receio.
Principalmente, tendo em conta os stresses que já tive 'no ar'.
No entanto, até correu bastante bem.


Ansiedade e nervoso miudinho, claro.
Mas isso faz parte da adrenalina da rádio.
Agora, senti que já estava a precisar de o fazer. E, por isso, soube-me muito bem.

Há que dar um passo de cada vez.
É assim que deve ser.

(Mas sempre com outros voos em mente!)

segunda-feira, novembro 28, 2005

Actualizando

Bem, aqui estou eu para actualizar o post "Recordações".

Se repararem, houve alguém (uma colega de curso) que escreveu um comentário sobre isso no post "In Love".

Percebi a mensagem!

Realmente, já me tinha passado pela cabeça.
Pela intenção do sms.
Mas sempre me pareceu demasiado surreal.
Enfim.

Ao menos, já não morro sem saber...

sexta-feira, novembro 25, 2005

In love


(Escrito ontem, 24 de Novembro de 2005, à noite)


"Resta-me partir e viver ou ficar e morrer"
Romeu e Julieta, William Shakespeare

Porque às vezes, o amor verdadeiro não está no caminho mais fácil.


Ontem, vi, mais uma vez, o filme "Shakespeare in Love" (no canal Hollywood).
Não me canso.
Transmite tão bem esse sentimento, grandioso, que não me deixa indiferente.

Deixa-me, principalmente, saudoda de uma época que não vivi - mas que sinto conhecer como se a ela pertencesse - em que o amor era vivido até ao limite, com toda a intensidade que lhe é (ou deveria ser) inerente. Porque só assim faz realmente sentido.
Especial, único, irrepetível. Puro. Impulsionador dos pensamentos e dos actos mais inesperados. E também dos mais sinceros.

Sentimento que (dizem) só acontece uma vez na vida.
Encontro de almas.

Sentimento que não se escolhe ou determina.
Simplesmente... acontece!

quinta-feira, novembro 24, 2005

Transe

(Escrito ontem, 23 de Novembro de 2005, à noite)


Palavras para quê, quando não somos respeitados na nossa própria casa??!
Quando não nos encaram como somos: indivíduos com uma identidade própria, uma personalidade, valores, crenças, pensamentos, opiniões, vivências...

Nada pior do que sermos ignorados, desprezados enquanto seres pensantes.
Nada mais castrador do que não nos levarem a sério, só porque somos 'mais novos'.
Esquecem-se que podemos ser (mesmo!) mais inteligentes, sensíveis, perspicazes, intuitivos...


Se é para ser assim (coisa que - acredito - acontece em muitos lares, mesmo), há pessoas que não deveriam poder constituir família.

Principalmente quando é na família que se descarregam frustrações alheias.

Repugnante

(Escrito ontem, 23 de Novembro de 2005, ao final da tarde)


A Igreja Católica decidiu banir do seu monopólio os homossexuais.
Aplausos?!

É por estas e por outras que me recuso a vincular (novamente) a qualquer religião, principalmente a protagonista dos noticiários de hoje - e dificilmente poderei mudar de ideia.
Infelizmente, demasiado influente (a Igreja) em todo o mundo.

É, também, por estas e por outras que, se alguma vez me casar, fá-lo-ei apenas pelo Civil.


Repugnam-me certas mentalidades.

Abaixo a hipocrisia!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Recordações


(Escrito a 19 de Novembro de 2005)


Volta e meia, recordo com carinho o que vou agora contar:


Entrei no curso de Comunicação Social em 2001 e, portanto, a minha primeira Queima das Fitas foi já em 2002.
Nesse ano (não sei se voltou a ser assim no seguinte), havia um serviço de sms, para o qual as pessoas enviavam mensagens - para um determinado número - que depois passavam, em rodapé, nos écrãs gigantes do recinto.
Na altura, achei imensa graça à ideia (aliás, não percebo porque é que acabou) e até comentei - não me lembro com quem - que não me importava nada :) que enviassem uma mensagem para mim. Comentário normal, acho. Uma afirmação completamente espontânea, sem qualquer segunda intenção, não acreditando eu (verdadeiramente) que se pudesse concretizar.

Até que houve um dia dessa semana, não sei quando... talvez no fim-de-semana (tendo em conta que a Queima começa sempre a uma quinta-feira), em que uma das pessoas com quem estava veio ter comigo a dizer que tinha visto uma mensagem para mim.
Claro que a minha primeira reacção foi não acreditar, perguntar se ela tinha visto bem, se não estaria a gozar comigo (ah, não tinha comentado nada com ela!). Mas ela garantia que sim, que tinha visto muito bem.
A verdade é que pude confirmar por mim mesma que ela não estava a mentir. Por várias vezes, até. Talvez tenha visto a tal mensagem aí umas 4/5 vezes, em 3 dias. Qualquer coisa assim.

Devo dizer que gostei. Não consigo descrever o que senti, mas gostei. Alguém quis dizer-me algo, só para mim, mas ao mesmo tempo, quis que toda a gente soubesse. Foi estranho.
Já lá vai um tempito, mas se bem me lembro dizia assim:

"CARINA (COM.SOCIAL-ESEC): ÉS LINDA! ESQUECE O PASSADO E OLHA À TUA VOLTA"

Era isto.
O suficiente para ter a certeza de que aquela "Carina" era eu.
Aquela mensagem era, de facto, para mim.
Simples. Mais directa impossível. Muito especial.

Primeiro pensei que pudesse ter sido alguma amiga minha. Ou um amigo. Colegas.
Mas não podia ser.
Ninguém conhecia assim tão bem a fase que eu estava a atravessar. Só os meus titios souberam realmente o que me aconteceu, porque me acompanharam de perto.
Ainda perguntei a algumas pessoas, mas mais por descargo de consciência.
Em vão.

É daquelas coisas que, como costumo dizer, vou morrer sem saber.
Seja quem tenha sido, não quis que eu soubesse quem era. Respeito, que remédio. Mas claro que tenho curiosidade. Se calhar até é melhor assim.
Para ele/a: Obrigada. Acredita que adorei!

Das poucas coisas "inusitadas" que me aconteceram, até hoje.
Uma boa recordação que, de vez em quando, me assalta o pensamento...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Provisoriamente...

... sem computador.

Felizmente, por um lado, porque já estava farta. Sempre a bloquear, por causa dos vírus.
Mas por outro lado, é cada vez mais complicado passar sem computador. E sem Internet!

Incrível, a dependência que adquirimos a uma simples máquina.


Até um dia destes...

quarta-feira, novembro 16, 2005

Custa...

... pensar que há pessoas que convivem connosco durante tanto tempo e, mesmo assim, não conhecem nada sobre nós.

Porque, simplesmente, não nos vêem!

sábado, novembro 12, 2005

Êxtase total!!!


Bem, já estou novamente em Coimbra.
E onde fui eu, poderiam perguntar.
A Lisboa. Ver os Backstreet Boys ao Pavilhão Atlântico.

O último da Never Gone Tour.



Que poderei eu dizer de um concerto que já esperava há 7 anos?!

Simplesmente fabuloso, fantástico, maravilhoso, electrizante, emocionante, inesquecível... Único!

Haverá uma única palavra que o possa descrever? Não creio. Ou, pelo menos, não consigo encontrar uma.

Claro, agora poderão estar algumas pessoas a ler este post e a gozar (talvez) com o meu gosto.
Whatever, quero lá saber.
Adoro-os! Desde o início.
E, coerentemente, há mais de sete anos, no dia 15 de Abril de 1998 (uma quarta-feira), estive na Praça de Touros, em Cascais, para os ver.
Foi a primeira vez (e única, até ontem) que eles vieram a Portugal.
Um delírio para mim, naturalmente!
Ainda andei uma semana afónica, tal foi a gritaria.
Ah, e o melhor foi tê-los apanhado a caminho do concerto.
É verdade, a camioneta onde eles iam foi sempre atrás de mim. desde a portagem na auto-estrada à entrada para Cascais (acho eu) até ao local do concerto.

Foi giríssimo.

Hoje não estou rouca – até porque já sei gritar sem forçar as minhas cordas vocais (‘ossos do ofício’).

Mas estou extasiada, anestesiada, maravilhada... não sei... adorei!


Impossível explicar o efeito que a música deles produz em mim.
Talvez seja mais por tudo o que já significam, pelo que representaram (principalmente) na minha adolescência.

Agora é diferente, é um sentimento mais calmo :) cresci, amadureci, e portanto é natural que seja diferente. Para melhor.

Enfim, nem tenho palavras para descrever e/ou transcrever. Esta é, provavelmente, uma tentativa que sai fracassada...



Como se não bastasse, desta vez houve uma primeira parte... feita por um grupo português...
Quem?!
Os Anjos!!!

Quem mais poderia ser?
:)))
Foi ‘ouro sobre azul’!

E para eles mais do que merecido!


O concerto dos BSB foi ontem. Só que eu fui mais cedo para Lisboa, na quinta-feira ao final do dia.
Para ver, precisamente, os Anjos, em Torres Vedras.
Já chegámos (eu, Ana e Marisa) tarde – o concerto já tinha começado.
Mas depois foi a curtir até ao final.
Para terminar em beleza, fomos ter com eles: o objectivo era (eu) gravar com o Nelson e o Sérgio uns Ids para mim e para a Maiorca FM. Infelizmente o barulho era tanto que não iria permitir fazermos um bom trabalho. E, portanto, fica para outra altura, a marcar previamente.
No meio disso tudo, ainda estivemos um bom bocado com eles – o que já não acontecia há (mesmo) muito tempo.

Escusado será dizer que eles estavam radiantes com a notícia (talvez apenas confirmação) que tinham recebido naquele mesmo dia – fazer a primeira parte do concerto dos BSB.

Uma coisa que me esqueci de lhes dizer: Muitos Parabéns!



Agora é regressar à rotina.
Difícil por um lado, porque a vontade era continuar neste ritmo.

Necessário por outro, para voltar a Terra.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Solidão

Desespero

Às vezes assusto-me...
Tamanha é a solidão que me invade!

Curioso


Em tempos, lá na minha adolescência, comecei a escrever um diário.
Num belo dia, acho que num meu aniversário, uma amiga da minha mãe ofereceu-me um (às flores).
Claro que, no início, escrevia nele todos os dias.
Mas foi ‘sol de pouca dura’.
À medida que o tempo ia passando, cada vez menos vezes pegava nele para escrever...
Até que o abandonei completamente.



Certo dia, lembrei-me de pegar nele para o ler.
Detestei o que encontrei.
Que fiz eu, perguntam vocês?!
Arranquei nas páginas escritas, rasguei-as e queimei-as.
E porquê?
Porque não gostei mesmo nada de ler o que lá estava.


Talvez por me ter sentido demasiado exposta, demasiado ridícula.

Mas também, e em grande parte, por não suportar a ideia de que alguém, algum dia, poderia encontrá-lo e lê-lo.


O que é curioso, no meio disto tudo, é agora (em Setembro) ter começado a escrever este meu bloguito.
Que acaba por ser um diário, porque pessoal.

Aqui exponho os meus pensamentos, os meus sentimentos e sensações, deixo as minhas opiniões...
Reflecte-me, por opção. E gosto disso. Gosto de me dar a conhecer desta forma. Porque sou eu que a controlo, que a permito, que a conduzo.


São as minhas pormenoridades!

Juventude equivocada?!

“Três em cada cinco adolescentes norte-americanos com acesso à Internet já colocaram material ‘on line’ e um quinto tem mesmo um ‘blog’, segundo um estudo divulgado pela Pew Internet and American Life Project.” (in Diário de Coimbra de 07-Nov-2005)


Não considero, de todo, mau sinal. Muito pelo contrário. É bom para estimular certas capacidades, como a expressão, a escrita...

Mau se estes dados reflectirem um fenómeno, ou seja, algo passageiro, que só acontece porque está na moda.


Cada vez mais tenho a sensação de que as gerações actuais (refiro-me em Portugal, por ser a realidade que conheço), mais novas, vivem muito da aparência, do ter a playstation tal, ou o computador assim, ou ainda o telemóvel assado... além, claro, da roupa: desde sapatos, sapatilhas, calças, camisolas, casacos... passando, depois, pelo grupo de amigos, pela família (o que é que faz o pai, a mãe...) e respectivo nível económico... não sei, não percebo...

Será só impressão minha?


Claro que há aquelas coisas naturais da idade, da procura de identidade, da afirmação pessoal e social.
No meu tempo também havia!

Mas sinto que era diferente. Não era tudo tão supérfluo, tão fútil.

Sobretudo, os adolescentes (principalmente) começam, desde muito cedo, a experimentar muitas coisas... algumas para a idade, outras nem tanto.
Sim, pode ser um tanto ou quanto subjectivo.
Crescem, de facto. Mas por fora. Pela aparência (que, na maioria dos casos reconheço que é boa, arranjam-se bem, são bonito/as, vistoso/as), por alguns comportamentos – como os namoros, as curtes, as saídas à noite.Falta o resto. O essencial. A maturidade. A responsabilidade. Os objectivos, os projectos a longo prazo.


Parece-me a mim!

domingo, novembro 06, 2005

Para quê?


Procurar respostas para as quais nunca teremos resposta... para quê?



"Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum."

Alberto Caeiro


"(...)
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
(...)
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na! (... )
Ó céu azul - o mesmo da minha infância -,
Eterna verdade vazia e perfeita!
(...)"

Álvaro de Campos